Domingo, 26 de Abril de 2009

Análise...


Para cá novamente, num vazio existencial tão grande quanto eu posso ser.

Nunca considerei a internet uma amiga, é tão somente uma ferramenta, uma técnica à qual chegamos após milhares de anos, fria, lógica, traiçoeira, distanciadora, isoladora, mentirosa... Ainda assim me serve de agente/objeto para uma catarse.

Catarse é uma forma de purificação, prefiro uma comparação com o termo "exorcismo" que vem bem a calhar hoje em dia. Não acho que estou possuído por coisa alguma de outro mundo, mas pelos tão cruéis pensamentos, pois, se cabeça vazia é oficina do diabo, o outro extremo, também, é sinônimo. Não falo do pensamento produtivo (aquele que nos faz romper com práticas ruins, antiquadas e defasadas), mas do vaguear da menteem mares de lembranças e desesperanças. Minha mente... não. Não vou me lamentar, até porque não é legal sorrir para a solidão, mas incomoda ser ela a nossa única platéia.


Mas gostaria de mandar às favas todos os impossibilitadores da melhoria de todas as coisas. Sim, quero que se explodam os beberrões inconsequentes, os riquinhos que curtem a vida sob o sangue derramado pelo poder das drogas e sequer sentem remorso. Gostaria que todos os líderes religiosos tomassem estricnina, não importando se são provenientes do ocidente, do oriente ou do inferno que o valha. Queria que os problematizadores da existência simples do bem de todos tropeçassem numa pedra qualquer durante uma excursão turística nas beiradas do Grand Kenion. Queria que meus complexos cessassem amanhã (para dar tempo de uma ultima dose de auto-piedade, afinal vício é vício). QUERIA O FIM DOS GOVERNOS OU, COMO MELHOR SERIA LIDO, DOS ESTADOS INSTITUCIONALIZADOS.


Se eu quiser continuo outrora... Passar bem!!!

Sábado, 18 de Outubro de 2008

Correspondência de um amigo próximo:




E se, comigo, nada se fizer verdade?

Estou cansado mentalmente.
Mandos e desmandos... não há mudanças ou desmudanças. Estou inerte, infrutífero, inacompanhável.
Tenho uma triste sensação que me engano até aqui e não falo, camarada, com respeito ao que é certo ou errado, mas da minha relação com aquilo que ensina o que é bom ou não. Meu amigo, se eu fosse você eu pararia de ler este texto, afinal de contas você deve estar cansado de ouvir lamúrias e choros de conhecidos teus ou mesmo nas novelas que você assiste religiosamente pela TV, mas se quiser ignorar um bom conselho ouça o que tenho pra falar.

Oxalá eu compreendesse os segredos da minha própria alma, as confusões da minha consciência. Oxalá eu soubesse onde se encontra a chave de minha cadeia, a força para negar as regras em mim programadas. Ah! Quem me dera eu conhecesse o segredo da minha falha, da minha solidão. Meu Deus... Deus...Deus? Deus! Deus, o que será quando puder entender uma fração de quem é você

Minha vida cristã, meus modos cristãos... minha boca sem palavrão, meus pés carolos, minhas mãos bem educadas, meu corpo sem adornos, meu peito sem amigos, sem vinho, sem graça... Para quê? Há finalidade? De que me valerá minha vida no dia da minha morte? Morte? Sim, morte!

Amigo, sinto que minha caminhada pára aqui, sinto que me enganei durante todos estes dias, sinto que eu sou outro e isso não quer dizer que sou outro a partir de agora quando lhe escrevo estas linhas, não! Sempre fui outro, nunca este, mas estou neste, um outro que não eu, que vos fala.

Nunca abandonei o que sinto não ter, antes eu preservei e preservarei minhas falsidades e hipocrisias, minha aparência do dia a dia, pois não sou quem aparento ser e nunca serei outro, aquele outro quem sou.
Assim sigo crente que em nada creio senão em mim mesmo, que a ninguém amo senão meu próprio estômago e que nada conheço senão meus pensamentos.

Continua...

Sábado, 27 de Setembro de 2008

Falta


Vamos embora esta noite?
Estou indo, pra longe, utilizando jargões desmemoriados por tua causa
Você vem?
Cadê?
Preciso secar os olhos pálidos, embranquecidos, sem cor... em dor.
O que temos, você?

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Gaiola de Ratos


Esqueça, esqueça! Deixa a queixa, robusteça, levante e zarpe para onde quiser ir. Se quiser vir comigo tenho um sentido diferente do resto desta gente que sente o chicote arder na mente e não grita, mas fica ao som com as mãos na barriga ouvindo a cantiga mesma do mal, um canto de lavagem cerebral. Lavagem que corre, nunca morre, dentro da cabeça vazia que amazia com ela sentindo seqüela, mas escrava macabra de um comodismo modismo de hoje em dia. Atualmente na mente de gente demente repousa o confinamento, tratamento de loucura aos fãs da impostura televisiva que rivaliza com uma realidade doente feita pela mente dessa gente. E só! Dá dó, eu sei, mas são o que são e o que têm... sem inspiração, amém!

Domingo, 17 de Fevereiro de 2008

Vida, um delírio!


Isso aqui tudo é um delírio. Um sonho na madrugada de um doente.

Acho que a humanidade toda está em um sonho, ou melhor... um delírio. Um delírio difícil de acordar. Dizem que sonhos são sinais... não sei se delírios são sonhos ou alucinações, acho que são sonhos alucinados cujos sinais são ininteligíveis, dificil a compreensão... difícil. Existe tão profundo significado em cada um destes elementos que minha mente superficial não os compreende e, assim, vejo que o pardal no fio da luz é tão somente o pardal no fio da luz.


No meu delírio vejo o fogo crescendo ao meu redor. Poderia jurar que as chamas possuíam mãos e rostos aterrorizantes e gritavam como que para me assustar. Corria por um caminho entre elas. Alguém me xingava, mas eu aprendi a ignorar os insultos, seria superior. Sentia chibatadas nos ombros, socos na cara, mas não queria ver ninguém. Corria. Entrava por uma esquina e respirava junto à parede, olhei... uma porta. Finalmente. Queria que estivesse chovendo lá dentro... e poderia, não era um delírio? O suor me banhava numa aspersão salgada que fazia meus olhos arderem. Caminhei até a porta, mas ela flutuava ao longe, então passei a correr e ela nunca saía do lugar. Olhei atrás meio apavorado, meio ignorante de tudo aquilo... Ninguém. Pelo menos poderia tentar a porta onde chov... Cadê a porta? Cadê a porcaria da porta!!!!!?

Corria, corria... Não havia brisa no meu rosto, por quê? Que é isso? Estava numa esteira, numa esteira de academia.

Todos riam em volta, mas não era de mim, era da vida, do delírio, estavam delirando com certeza.

Um barulho. Um grito agudo e breve que saía de mim. Meu braço direito formigava, havia marcas nele, marcas de dedos, quatro dedos. Me empurraram! Quem? Não sei, mas caí, caí em cima de um colchão no chão sem uma cama que apoiasse. Havia um espelho no colchão. Um susto, minha cara estava marcada... vergões.

Mas o que é isso? Quem está me perseguindo?

Risadas...

Agora eu sei, riem de mim, tenho certeza, posso sentir isso, mas quem? Quem?

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Barco Pesqueiro


...Passavam já das 6 da tarde, o movimento da maré que sacudia o pesqueiro de seu velho pai não o enjoara... fôra a comida enlatada. Apressou-se em tirar a rede d'água, um mísero peixe dabatia-se violentamente. Meditou. Como o ar que lhe garantia vida segundo após segundo era sufocante ao pobre vertebrado marinho. E agora? Devolvia-lhe à vida ou entregava-o à tortura ofegante? O poder em suas mãos. O poder que sonhara ter, que experimentara e que lhe arrancaram das mãos. Liberdade!!! Era tudo o que desejava ali, no frio da brisa do mar. O mar... Sem cor, enfurecendo-se com a negritude das nuvens. Ele e ninguém mais... Já não era alguém para si mesmo, desprezado pelos iguais, incompreendido pelos líderes de sua vida. Proibiram-lhe sorrir com o que tinha vontade, correr com quem sonhou compartilhar sandices... Sua vida era feita de reticências. Seus assuntos, seus projetos, seus planos paravam pela metade do percurso onde todos já sabiam o que ocorreria.

Olhou para o mar. O peixe falacera em suas mãos e escorregara-lhe por entre os dedos. Sepultado no mar de onde veio, de graça. Agachado pensou, lembrou de sua mulher, das três crianças, do menino mais velho trancafiado no quarto sem reboque.

Imprestável, desgraçado, pobre... Sabia que receberia em uma semana mais atenção do que recebera em sua vida inteira, talvez durasse um mês inteiro ou dois. Sentiriam sua falta, sem dúvida, afinal todos recebem homenagens quando cessam de consumir este ar.

Olhou, pensou e não mais duvidou. Tornou-se uma gota d'água a mais.
Acordou com uma sensação comum de estar encharcado. Em volta observou o mesmo quarto. Perto da estante as latas de tinta. Ao seu lado sua mulher:
- Vai sozinho, mesmo?
- Sim... Irei.
- Vai chegar a tempo de jantar?
Olhos nos olhos, nenhuma palavra.
Levanta-se, toma um banho, come uma torrada, caminha até o portão tão negro como sua alma naquele dia.
- Pai! - Grita o pequeno Lino - Esqueceu o chapéu do Vô! - Olhos nos olhos, novamente, mas agora em cada membro da familia.
- Obrigado.
E ninguém mais ouviu de sua boca palavra alguma.

Reticências...


Quase sempre...

Pelas ruas a vida anda...

Não sou cego para não te notar...

Beleza... Raridade...

Sim, um milagre do bem...

Da verdade.

Invendível...

Amor...

Minha cegueira não chega a tanto,

A ponto de não te notar.